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OS 112 ANOS DA IMIGRAÇÃO JAPONESA NO BRASIL

No dia 18 de junho, comemoramos 112 anos de imigração japonesa. A história de amizade entre Brasil e Japão, países situados em lados opostos do globo terrestre, com origens étnicas, culturais e sociais diferentes e clima e geografia totalmente distintos, teve início em 1895 com a assinatura do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação.

Em 18 de junho de 1908, chegou ao porto de Santos o navio Kasato-Maru que trouxe o primeiro grupo oficial de imigrantes japoneses para o Brasil. A viagem começou no porto de Kobe e terminou, 52 dias depois, no Porto de Santos. Vieram 165 famílias (781 pessoas). A maioria foi trabalhar nos cafezais do oeste paulista.

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Nos anos 50, meu pai, Moichi Yabiku, e meus tios Motoko e Takeo Yabiku, todos falecidos, este último recentemente, também atravessaram oceanos, deixando sua terra natal para trás para fincar os pés em terras brasileiras. Assim como os pioneiros dessa jornada, traziam também a esperança de dias melhores.

Naquela época, o Japão e particularmente o arquipélago de Okinawa, de onde vieram os meus antepassados, estavam totalmente devastados pela Segunda Guerra Mundial, o que tornava a vida praticamente insuportável. O Brasil, por sua vez, ainda era uma jovem Nação que após três séculos de escravidão negra, ressentia-se da carência de mão de obra nas lavouras. A solução encontrada foi trazer imigrantes para trabalhar na pujante economia cafeeira.

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O fluxo imigratório japonês terminou quase que totalmente em 1973, com a vinda do último navio, o Nippon-Maru. Na época, 200 mil japoneses já estavam estabelecidos no país. Estima-se hoje que haja mais de um milhão de nipo-brasileiros, cuja maioria reside nos estados de São Paulo e do Paraná.

A maioria dos imigrantes japoneses passou por grandes dificuldades, provocadas por inúmeras guerras, especialmente a Segunda Guerra Mundial. Em muitos casos, eles tiveram seus bens confiscados logo após a ocupação do território japonês pelos Estados Unidos. Isso levou famílias a procurarem uma vida melhor em outros países.

No Brasil, os efeitos da Segunda Guerra também foram sentidos no seio da comunidade nipônica com a suspensão do Tratado de Amizade, de 1942 até 1952. Nesse período, especialmente após a rendição japonesa, um grupo de nacionalistas, liderados por um antigo oficial do exército imperial japonês, o Coronel Watanabe (Eiji Okuda), se recusa a acreditar que seu país finalmente perdeu uma guerra. Assim, lidera um grupo de fanáticos, chamado “kachigumi" ou vitoristas, que passam a perseguir e assassinar alguns japoneses que aceitaram a derrota, referidos como “makegumi” (derrotistas) ou de coração sujo.

Esse triste episódio foi retratado no filme brasileiro Corações Sujos, de 2011, dirigido por Vicente Amorim e baseado no livro de mesmo nome, de Fernando de Moraes. Película esta que tive a honra de integrar o elenco como figurante em cenas gravadas nos arredores de Campinas.

Apesar desses grandes desafios, comunidades japonesas sobreviveram e prosperaram ao longo dos anos. Entre todos os destinos da imigração nipônica, o Brasil abriga a maior comunidade japonesa do mundo fora do Japão. Em seguida vem Estados Unidos, Filipinas, Reino Unido, Peru e Canadá.

No início, os imigrantes japoneses enfrentaram condições adversas de trabalho nas lavouras, com baixa remuneração e pouca perspectiva de vida. Porém, sustentados por uma cultura milenar baseada no trabalho, na disciplina, união e cooperativismo, a cada geração seus descendentes melhoraram suas vidas no Brasil.

Hoje, preservamos nossa rica cultura, que se tornou muito popular e adorada pelos brasileiros não descendentes de japoneses. Com o passar dos anos, conseguimos manter nossas tradições, sem deixar de nos integrar com a sociedade local, de modo que quase todo descendente de japonês, seja nissei (filho), sansei (netos) ou yonsei (bisneto) se sente brasileiro de coração e alma.

A cada ano, inúmeros festivais japoneses são realizados no país, especialmente em São Paulo. Em Campinas, sou o autor da Lei Municipal 13.267/2008 que instituiu no calendário oficial do município o Festival do Japão, que todos os anos atrai centenas de pessoas que adoram nossa cultura, nossa gastronomia e nosso estilo de vida.

Impossível resumir nesse breve artigo todos os aspectos desta rica história de cooperação e amizade que envolve brasileiros e japoneses. Essa simbiose produz resultados muito positivos para os dois países e constitui a evidência concreta de que políticas migratórias bem planejadas podem trazer benefícios no presente e no futuro. Viva os 112 anos da imigração japonesa no Brasil!

Luis Yabiku é vereador em Campinas